dezembro 01, 2016

Primeira série brasileira da Netflix, 3% choca ao mostrar a meritocracia sem piedade


3% pode ter ficado meio apagada nos papos dos viciados em série no último final de semana graças ao revival de Gilmore Girls – as duas foram ao ar dia 25 – mas assim que acabei Gilmore Girls fui correndo assistir os três por cento.


No lado de cá, falta comida, água e a situação é precária. De lá, um mundo “ideal” e selecionado. Não é difícil enxergar nosso país desigual nesse paralelo. 3% trata dessa realidade em um mundo distópico do futuro. Os oito episódios da primeira série brasileira original da Netflix são ambientados em um futuro pós desastres climáticos onde jovens e 20 anos batalham por um lugar no Maralto, no lado de lá, dos privilegiados.



A série é uma alegoria sobre a meritocracia. “Você é o criador do seu próprio mérito”, diz incontáveis vezes Ezequiel (João Miguel), o chefe do processo para passar paro o lado de lá. O processo é doloroso, muita gente fica pelo caminho e poucos conseguem chegar para a ilha dos privilegiados, só 3% dos concorrentes. Não é difícil perceber as críticas nos pequenos detalhes, “só os melhores passam”, “se eu estou aqui é porque mereço”. Em um país onde milhões passam fome enquanto outros vivem ostentando é fácil se sentir incomodado assistindo os episódios. Eu me senti. Aceitar o nosso privilégio nem sempre é automático, as vezes relutamos, porém, a realidade é que podemos até não estar naquele 1% - os milionários da vida real – mas ao acreditar e se aproveitar da meritocracia a pessoa contribui para deixar os menos favorecidos cada vez mais miseráveis.

Foi fácil fazer maratona da série. Você gruda e não quer mais parar de ver. Porém, não é tudo essa maravilha. Alguns atores são tão mecânicos que dói assistir, aí meu coração.
No elenco João Miguel, Bianca Comparato, Michel Gomes, Rodolfo Valente, Vaneza Oliveira, Rafael Lozano e Viviane Porto.

Fica a dica.



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